Apesar de alegre, sinto-me ingrata. Ingrata, pois mesmo que a folha seja a única cor que me tomo que deito que falo… Não consigo dizer muito. A única que me salva e ainda sim, afogo-me.
Mário fora meu primeiro (amor que seja). Sendo que logo apliquei uma maratona e ao final de poros e peito cansado, venceu em louvores. Comemoramos por dias. Ele fez tão bem, num esmo admirável que deixou-me dependente de tua boca e romances melodramáticos (não leia livros nesta época). De lance, aprendi em meio ao sono que por mais que a manhã acorde na frieza… Se estivermos bem com quem nos faz “ser”, aquentamos sete vezes o peso do mundo. Dobramos a eternidade e saudamos um “bom dia” para a vida.
O núcleo dramático de minha história rege num domingo. O resto da semana não sinto, e se ouço os vizinhos na sexta, fecho a janelas por medo dos risos tocarem-me.
Diante de folhas eu me escrevo, me protejo, me refaço e me mato. Uma arte bonita devo ressaltar diante de tanto martírio.
Não sei de fato, contabilizar quantas vezes apanhei a carta como se através da caligrafia torta e ríspida de Mário, pensei em trazê-lo. Não volta, nem explica o que deixamos para “depois”.
Na primeira semana, fui incapaz de escrever sequer um verbo. O olho marejava como um céu ensolarado que num instante escurece, e repentinamente a chuva desliza com o expectador de um sol escaldante. Quanta água você guarda no céu? As lágrimas impediam de juntar a data com “caríssimo”. Turvo e embaçado. Absolutamente turvo e engasgado.
Um triste fim intitulado de amor. Resignando-se no dizer de palavras vãs sublinhadas na perda. Tudo se dividia na dúvida de sermos insolúveis ou vertentes complicadas.
Mário segundo a vizinha do apartamento 120 estava bem. Muito bem. De modo que não sei o que seja “bem” na visão daquela senhora. Suponho que vive.
Quanto a mim, sofro menos.
Sou como um poço d’água de aldeia vasta do orvalho desbotado. Saciou todos e sinto uma sede de alma. Sou um poço que quando seca, torna-se fossa.
O que posso lhe dizer Mário? Eu rio nos dias tristes.
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Os olhos cansados, as mãos ainda não.

(Source: exilios, via exilios)

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